10 anos de informação na Serra da Ibiapaba

10 anos de informação na Serra da Ibiapaba
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Criado em um cenário de elevados índices de homicídios e violência armada no Ceará, o Comitê de Prevenção e Combate à Violência (CPCV) completa uma década de atuação marcada pela produção de conhecimento, articulação institucional e incidência política. Instalado em 23 de fevereiro de 2016, na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), o órgão surgiu com o objetivo de compreender o fenômeno da violência armada no Estado, especialmente entre adolescentes de 10 a 19 anos, e propor estratégias de prevenção baseadas em evidências.

Inicialmente denominado Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, o grupo teve o escopo ampliado e, desde 2019, passou a adotar o nome atual. Hoje, o CPCV organiza sua atuação em cinco linhas: Produção de Conhecimento; Formação; Mobilização Social; Interiorização; Monitoramento das Recomendações e Incidência Política.

Presidente do comitê, o deputado Renato Roseno (Psol) afirma que a proposta inicial sempre foi contribuir para políticas públicas fundamentadas na ciência. “Sempre com base em pesquisas feitas por equipes técnicas abalizadas sobre como podemos prevenir essa dinâmica praticamente epidêmica de violência entre jovens”, destaca.

Ao longo dos dez anos, o CPCV realizou estudos anuais, recebeu reconhecimento nacional, participou de eventos internacionais e colaborou na formulação de políticas públicas. Um dos principais desdobramentos do trabalho foi a criação do Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência (PReVio), política estadual financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), voltada à prevenção da violência.

Outro avanço foi a assinatura de Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, que resultou em convênio com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), órgão do sistema da Organização das Nações Unidas (ONU). A parceria busca fortalecer a prevenção de homicídios nas esferas estadual, municipal e federal, com foco na adolescência, além de subsidiar a elaboração de uma política nacional de atenção e proteção às vítimas de violência armada.


Cuidando em Rede

Desde 2019, o comitê desenvolve a articulação “Cuidando em Rede”, voltada ao fortalecimento da rede de atendimento às vítimas de violência armada. A iniciativa promove formação de profissionais, articulação interinstitucional e produção de materiais técnicos para qualificar os serviços de acolhimento no Ceará.

De acordo com o coordenador técnico do CPCV, Thiago de Holanda, os estudos indicam que investir na prevenção é urgente, especialmente junto a adolescentes fora da escola ou com histórico de medidas socioeducativas. Ele ressalta ainda a importância da chamada prevenção terciária — aquela voltada a pessoas que já sofreram violência e estão em risco de revitimização. “Romper ciclos de violência também é prevenir novas mortes”, afirma.


Encruza nas Escolas

Outra estratégia implementada pelo comitê é a “Encruza nas Escolas”. Desde 2023, articuladores comunitários desenvolvem ações em unidades da rede pública de Fortaleza e do interior do Estado, promovendo diálogos sobre cultura de prevenção e proteção junto a estudantes e comunidades escolares.

Para o articulador comunitário Joaquim Araújo, celebrar os 10 anos do CPCV significa reconhecer uma trajetória construída coletivamente, com escuta ativa e participação social nos territórios.

Ao sintetizar a década de atuação, Renato Roseno destaca princípios que norteiam o trabalho do comitê: “A violência é retorno da segregação; a morte começa no abandono; se a morte é previsível, ela é prevenível; a prevenção começa no território. E a grande síntese de tudo isso é que cada vida importa”.

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